Como uma cidade mineira transformou lingerie em potência nacional

  • 22/05/2026
(Foto: Reprodução)
Portal de entrada de Juruaia, no Sul de Minas Gerais: cidade que trocou os cafezais pela lingerie e se tornou um dos maiores polos de moda íntima do Brasil — Foto: Divulgação/ACIJU. Em 1989, Juruaia era uma cidade típica do interior de Minas Gerais, dependente do café e com uma economia sazonal que ia e vinha conforme a colheita. Ninguém imaginava, naquele momento, que em menos de três décadas a cidade se tornaria um dos maiores polos de moda íntima do Brasil, com mais de 200 confecções ativas e um crescimento econômico que a transformou em uma das cidades mais dinâmicas do Sul de Minas. A virada começou quando Marilza e seu marido Alencar chegaram a Juruaia no início dos anos 1990, vindos de Goiânia, instalaram a primeira confecção em um pequeno galpão e ensinaram o ofício a outras mulheres da cidade antes de seguir em frente. O que deixaram ficou: a primeira máquina de Marilza hoje está preservada na Prefeitura Municipal de Juruaia, símbolo do começo de tudo. Da primeira máquina ao polo nacional Em 1992 chegou a Coveen, fundada por Alice e Beliza, vindas de São Paulo e do Ceará trazendo experiência em lingerie e ensinando modelagem, costura e gestão para as mulheres do município. Quando a empresa encerrou as atividades em 1997, as costureiras que haviam aprendido o ofício lá dentro abriram seus próprios negócios, e foi exatamente assim que o polo cresceu: de dentro para fora, de mulher para mulher, de geração em geração. A criação da ACIJU e o nascimento da Felinju Em setembro de 1997, reconhecendo que as confecções precisavam de estrutura para crescer, um grupo de empresárias se reuniu na Câmara Municipal de Juruaia e daquela reunião nasceu a ACIJU, cuja primeira presidente foi Rosana Aparecida Marques, com o objetivo de defender, amparar e fortalecer o empresariado local, que já somava cerca de onze ou doze confecções espalhadas pela cidade. Um ano depois, em maio de 1998, a ideia de mostrar a lingerie de Juruaia ao Brasil ganhou forma com a primeira edição da Felinju, realizada em um antigo galpão de festas com estandes modestos, cinco patrocinadores e muito entusiasmo. O que nasceu ali como uma aposta tornou-se, com o tempo, o maior cartão de visita que Juruaia poderia ter. Crescimento, desafios e resiliência Ao longo de quase três décadas, o polo enfrentou crises econômicas, instabilidade cambial e a concorrência de outros centros produtores, mas os números contam uma história de crescimento consistente. Das primeiras confecções nos anos 1990, o município chegou a marca de 400 CNPJ de confecção de lingerie, produzindo cerca de 25 milhões de peças por ano e movimentando mais de R$ 15 milhões por mês, com 95% das empresas lideradas por mulheres. O maior desafio da história recente veio em 2020, quando a pandemia de Covid-19 impediu a realização presencial da Felinju. A ACIJU precisou reinventar o evento em tempo recorde e, em apenas 21 dias, organizou a primeira feira digital de moda íntima do Brasil, que alcançou R$ 5 milhões em vendas e mais de 200 mil visitantes virtuais em quatro dias, superando os números de edições presenciais anteriores. As confecções não pararam, pois as fábricas se adaptaram a fazer máscaras, com isso as vendas cresceram e o polo saiu daquele período mais forte do que havia entrado. O legado de quem construiu do zero Hoje Juruaia responde por cerca de 15% da produção nacional de peças íntimas, numa trajetória que levou a Felinju a ser reconhecida como Patrimônio Cultural de Minas Gerais pelo Iepha-MG em 2022, chegando em 2026 à sua 29ª edição, maior, mais profissional e mais conectada do que em qualquer outro momento de sua história. A designer Ozana de Oliveira, que trabalha no polo desde 1998, resume em uma frase o que muitos em Juruaia sentem: "Juruaia foi predestinada para ser a potência que é hoje no mundo da moda íntima." Predestinação ou não, o que se sabe é que essa potência foi construída peça por peça, costura por costura, por mulheres que apostaram em uma cidade onde o café havia acabado e a lingerie estava apenas começando.

FONTE: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/especial-publicitario/associacao-comercial-e-industrial-de-juruaia/juruaia/noticia/2026/05/22/como-uma-cidade-mineira-transformou-lingerie-em-potencia-nacional.ghtml


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